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A vida é paritária!

15/03/2012

Escrito por: Célia Regina Costa, secretária de Mulheres da CNTSS

 

  Estava sem inspiração para escrever sobre paridade. Mas, voltando do Espírito Santo, depois de uma semana trabalhando o processo eleitoral de um sindicato de nosso ramo, ao entrar no avião a comissária disse: “a comandante e o comandante tem o prazer de recebê-los para este voo”. Pensei: como não ter inspiração, a vida é feita de paridade! 

 

Vamos lá! Para qualquer ser humano existir é preciso o feminino e o masculino, ou seja, a paridade. As famílias tem uma forma de organização que é composta paritariamente, na grande maioria, composta por mulheres e homens.

 

A vida na sua forma é paritária, mas esta base não se reflete na sociedade. Quando chegamos ao mundo do trabalho à relação de paridade perde-se completamente. A mulher que tem a mesma função que o homem, exemplo  disso são profissionais como  engenheira ou médica, recebendo salários 30% a menos . Se for uma mulher negra, recebe menos ainda. O que dizer da mulher que cuida dos afazeres domésticos? A frase é a seguinte “a minha mulher não trabalha, ela  fica em casa”. A partir desse pensar a paridade familiar começa a se romper.

 

Esses conceitos de poder, de desconsiderar que a vida é feita por mulheres e homens refletem também no mundo sindical. Se na sociedade brasileira as mulheres são maioria; e no mundo do trabalho formal aquele que tem contrato de trabalho também o é; estamos chegando na paridade. Se somos; nas categorias; o maior número de filiadas, porque a direção dos nossos sindicatos não reflete essa realidade? Será que é a forma de funcionamento das nossas organizações? Este modelo de sindicatos, federações, confederações e a nossa central conseguem responder a realidade do mundo do trabalho que temos hoje?

 

É preciso ter atitudes na vida, no mundo do trabalho e no movimento sindical. Nós da CUT nascemos na ação radical de enfrentamento da ditadura pela democratização do nosso país. Tenho certeza que chegará a hora de radicalizar mais uma vez, implantando em nossas instancias da CUT e nos sindicatos a paridade entre mulheres e homens.


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