VOLTAR

Aprovar a Paridade é reconhecer a história da CUT

06/07/2012

Escrito por: Rosane Bertotti, secretária Nacional de Comunicação da CUT

 

Não há como olhar para a história de conquistas e avanços no Brasil sem avaliar e exaltar o papel preponderante que a Central Única dos Trabalhadores desenvolveu desde a sua fundação, baseada nos princípios de democracia, autonomia e liberdade sindical. Um sindicalismo de massa e de classe referenciado na luta pelos direitos históricos e imediatos da classe trabalhadora.

 

Um sindicalismo que percebe que para defender os trabalhadores e trabalhadoras é preciso ser atuante em todos os campos, seja na economia do mundo, nas conquistas sociais, no avanço e na consolidação das políticas públicas e na participação da democracia e política de nosso país.

 

Uma Central que tem em sua trajetória a marca das lutas e da solidariedade das greves, das conquistas frutos de grandes mobilizações, como as marchas à Brasília que efetivaram uma política de valorização do salário mínimo no Brasil e a luta contra a tentativa de jogar a conta da crise criada pelo sistema financeiro nas costas dos trabalhadores e trabalhadoras.

 

Arrisco dizer que não estaríamos vivendo este momento da democracia sem a ousadia e ação da maior Central Sindical brasileira, que colaborou desde a sua fundação para consolidação da democracia, desde a luta contra a ditadura, o processo das diretas já, até a eleição do ex-presidente Lula e do projeto democrático popular, sacramentado na eleição da presidenta Dilma.

 

Eleição esta, da primeira mulher presidente da República, que representa um marco político de participação e inclusão das mulheres. Significa o amadurecimento da sociedade e o surgimento de um novo paradigma.

 

Da mesma forma que não é possível falar em democracia em nosso país sem a participação da Central Única dos Trabalhadores, não é possível contar a história da construção da nossa Central sem a participação das mulheres que desde a sua fundação estão presentes na luta e apontam que a classe trabalhadora é de dois sexos. Porém, mesmo a luta sendo de classe, permanecem as diferenças, com as mulheres trabalhadoras ainda mais alijadas das políticas públicas, dos direitos sociais e econômicos, de participação na política e em espaços de discussão.

 

Somos nós que mesmo trabalhando nas mesmas funções continuamos ganhando menos que os homens, ocupamos os postos mais precários e somos subvalorizadas. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), recebemos em média, 72,3% do salário dos homens em 2011. Essa proporção, de acordo com a instituição, mantém-se inalterada desde 2009.

 

O mesmo estudo apontou um aumento da nossa participação no mercado formal em comparação a 2003. Apesar deste dado, a desigualdade ainda é muito significativa.

 

A CUT é reflexo desta luta contra discriminação e diferenciação na sociedade brasileira. Provamos que podemos e temos capacidade para ocupar os espaços de poder e político. Aprovar a Paridade é reconhecer a história da CUT, do novo sindicalismo, é reconhecer a luta de classe, a luta das mulheres no movimento sindical.

 

Sabemos que não basta apenas aprovar a Paridade entre homens e mulheres, porque essa igualdade se constrói no dia a dia, dando condições e construindo mecanismos para que as mulheres estejam presentes nos seus sindicatos e nas instâncias internas da Central. Queremos o reconhecimento da importância e da ampla contribuição das mulheres nos diversos espaços legitimamente conquistados.

 

A CUT, perto de completar 30 anos, caminha para consolidar de maneira efetiva a igualdade de gênero, garantindo de forma democrática a participação das mulheres no movimento sindical.


Compartilhe: