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Paridade, mesmo que tardia!

20/02/2013

Escrito por: Maria ARIVONEIDE C. de Moraes, Diretora do Sindicato dos(as) bancários(as) de Alagoas e coordenadora do Coletivo de Mulheres Bancárias de Alagoas

Não pretendo aqui dar uma definição final e irretocável sobre a importância da paridade para a vida das pessoas e particularmente para o movimento sindical. Mas ofereço argumentos para um debate, que seja mais aberto possível e que não deixa de ser contraditório, por apresentar opiniões polarizadas (e como!) sobre esse tema.

Todos sabem que, quando falamos de participação e representação nos espaços de poder do movimento sindical, temos problemas quanto da efetivação da política de paridade de gênero. A política, seja ela partidária ou sindical, tem uma dinâmica própria e essa dinâmica muitas vezes é hostil à presença das mulheres nesses espaços. Essa nítida distorção é o maior desafio para o movimento sindical na atualidade.

Para que as mulheres venham a participar das lutas da classe trabalhadora, elas precisam sentir-se representadas e essa representação se dá quando existem interesses convergentes as suas causas e reivindicações.

A CUT nacional saiu na frente. Em seu último congresso, em 2012, determinou que em 2015 para corrigir as desigualdades da participação das mulheres, será aplicada a paridade nas chapas e direções estaduais e nas chapas e direção nacional.

Também foi decidido no último congresso da Contraf/CUT em 2012, conforme orientação da UNI Sindicato Global, à qual a Contraf/CUT é filiada, a ampliação para 40% da participação das mulheres nas direções de seus sindicatos filiados até 2015. Vale lembrar que ainda temos dificuldades para cumprir os 30% já estabelecidos há anos pela CUT e isso comprova que, sem interesse de todos os envolvidos, dificilmente conseguiremos essa realidade.

Paridade é a qualidade de ser par, ser igual, de ter igualdade entre as pessoas e tratar as pessoas como iguais e isso nos remete a justiça social, algo que o movimento sindical luta e preza. E se a vida é feita por mulheres e homens, que isso também se reflita no dia a dia dos sindicatos e nos espaços de poder.

Assim mudaremos a cultura discriminatória que associa a identidade feminina somente à esfera privada. Assim poderemos nos articular em todas as dimensões do espaço público, com vistas a transformá-lo também num espaço legítimo de atuação feminina, oferecendo para outras mulheres da sociedade exemplos positivos da nossa atuação política. O movimento sindical pode e deve sair na frente, sendo referência para a sociedade na defesa da igualdade de gênero.

Negar a paridade em nossos espaços políticos é reafirmar a lógica capitalista e neoliberal que tem perpetuado um contexto de opressão da classe trabalhadora em detrimento ao acúmulo de capital a qualquer custo, que tanto combatemos. Nessa lógica, podemos afirmar que somos, nós mulheres, as oprimidas dentro de uma classe de trabalhadores oprimidos.

Entendo que o papel dos sindicatos seja, principalmente, o da busca pela igualdade social dos trabalhadores e das trabalhadoras e que não deve naturalizar as desigualdades de gênero dentro de seus espaços políticos e de direção.

Por tudo isso se faz necessário considerar - em nossa estratégia de oportunidades entre mulheres e homens nos espaços de poder dos sindicatos - o tema da cidadania e da inclusão social, para que a transformação da sociedade seja a nossa bandeira de luta legítima, começando por dentro das nossas estruturas sindicais, onde nunca mais existam opressores e oprimidos.

Nesse sentido, garantir o espaço de 50% para as mulheres e 50% para os homens nas direções dos sindicatos significa romper com a descriminação sexista. Uma boa iniciativa seria começar adequando às estruturas políticas e as relações cotidianas nos sindicatos, para que possamos torná-los mais democráticos e mais atrativos para a participação das mulheres.

 


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