VOLTAR

CUT 2012: paridade na Central e ratificação da 189 serão nossas prioridades, diz secretária da Mulher Trabalhadora

19/12/2011

Escrito por: Luiz Carvalho

O ano de 2011 foi de agenda cheia para as trabalhadoras cutistas: participação massiva na Marcha das Margaridas, conquista de resolução sobre paridade nos cargos diretivos aprovada na 13ª Plenária da CUT e, para fechar, o tema do mundo do trabalho como destaque na 3ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres.

Todos esses avanços são resultado de uma mobilização que deve ser ainda mais intensa em 2012, conforme destaca a secretária da Mulher Trabalhadora da Central, Rosane Silva. “Além da discussão sobre a presença de 50% de representantes de cada gênero nas direções de toda a estrutura da Central, incluindo a própria entidade, confederações, federações e sindicatos, que levaremos para o nosso congresso, nosso outro grande desafio é garantir um milhão e 200 mil assinaturas em um abaixo-assinado para o Brasil ratificar a Convenção 189 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), equiparando os direitos das trabalhadoras domésticas com os demais trabalhadores. Queremos entregar esse documento para a presidenta Dilma Rousseff porque é fundamental que sejamos os primeiros a adotar essa norma”, defende.

A dirigente acredita ainda que no próximo ano marcado por eleições municipais os trabalhadores poderão aprofundar a reflexão sobre o modelo de sociedade que desejam. “Não dá para discutir uma outra forma de desenvolvimento se não levarmos em conta o papel da mulher. As eleições permitirão que ataquemos esse ponto a partir da perspectiva local e a CUT deve construir sua plataforma para as eleições considerando a ótica feminista. Além disso, precisamos que mais mulheres ocupem espaços, como candidatas a vereadoras e prefeitas, fazendo com que avancemos na democracia”, acrescenta.

Balanço
Das ações com as quais a secretaria esteve envolvida, Rosane Silva lembra que a Marcha das Margaridas, que contou com a participação de 30 mil cutistas de todo o país, foi essencial como símbolo da organização das trabalhadoras. “Ao lado da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura) e do movimento de mulheres, conseguimos colocar 100 mil militantes para marchar na capital federal e pautamos a sociedade sobre a importância de estarmos pressentes na escolha do modelo de desenvolvimento que o Brasil deve adotar. Porque somos nós a responsáveis pelo cuidado a família, ainda temos negado o direito de decidir sobre nosso corpo, ainda estamos subrepresentadas no Congresso e nos espaços de poder, inclusive nos movimentos sociais. E ainda temos negado o direito à saúde e às políticas públicas”, acredita.

Dentro das instâncias da CUT também houve avanço sobre a questão da paridade entre trabalhadores e trabalhadoras. “Temos uma mulher presidenta, já tivemos avanços em partidos como o PT e também em outros países onde a organização sindical está mais adiantada. Nós completamos mais de 20 anos de políticas de cotas dentro da Central e o momento é de dar um passo maior e colocar em pauta novamente a nossa presença no espaço político. Conseguimos aprovar uma resolução de forma quase unânime sobre abrir o debate a respeito da paridade e nossa missão agora é avançar em 2012 para aprovar essa questão no 13º Congresso da CUT.”

Por fim, Rosane destaca o papel de todas as cutistas para que a Conferência Nacional de Políticas das Mulheres tivesse como um dos eixos centrais o mundo do trabalho. “Não apenas na discussão nacional, mas também nas estaduais e municipais conseguimos mobilizar nossas bases ao lado da Marcha Mundial de Mulheres da qual fazemos parte e aprovamos nossas prioridades como a ampliação do acesso às creches, políticas públicas que promovam a igualdade salarial e a valorização do trabalho doméstico. Demonstramos que o feminismo e o sindicalismo podem andar juntos para construir uma luta coletiva e unitária.”


Compartilhe: